Um livro que deveria ser lido por todo terapeuta
O grande mérito da obra de Bessel van der Kolk está em sua ousadia de romper com a visão reducionista que trata o trauma como algo puramente “mental” e isolado. O autor revela que o corpo não é apenas espectador, mas cúmplice e testemunha, carregando cicatrizes invisíveis que se manifestam em doenças, vícios e bloqueios emocionais. Essa abordagem integral — que entrelaça neurociência, psicologia e práticas corporais — é ao mesmo tempo revolucionária e profundamente humana. Não se trata de uma leitura leve. O livro exige do leitor disposição para encarar histórias de dor e reconhecer que o trauma não é exceção, mas parte da experiência coletiva. Ainda assim, há uma esperança latente: Van der Kolk não se limita a diagnosticar, mas aponta caminhos de cura que transcendem a fala, incluindo yoga, teatro, movimento corporal e outras práticas que devolvem ao indivíduo a sensação de pertencimento ao próprio corpo. O corpo guarda marcas” é um livro que incomoda porque desmonta certezas. ...