Feminismo e Psicanálise: Pressão Social, Modismo ou Causa Justa?

  Quando estar forte o tempo todo deixa de ser força e vira exaustão Você já sentiu como se estivesse carregando o mundo nas costas, sem direito a pausa? Como se precisasse estar bem o tempo todo — para os filhos, para o trabalho, para a família, para o mundo — mesmo quando tudo dentro de você está desabando? Se a resposta for sim, talvez seja hora de nomear isso com mais honestidade: não é força. É sobrecarga. Vivemos em uma cultura que incentiva as mulheres a conquistarem tudo — carreira, maternidade, equilíbrio emocional, corpo ideal — mas continua delegando a elas o cuidado invisível da vida cotidiana. E esse acúmulo, silencioso e constante, cobra um preço alto. A saúde mental feminina em um estado de alerta constante Não se trata apenas de cansaço. Trata-se de um esgotamento que atravessa o corpo, a mente e a identidade. Ansiedade, irritação, sensação de insuficiência, dificuldade de concentração e um vazio difícil de explicar têm se tornado cada vez mais comuns entre mulheres...

O Sagrado Feminino: a origem esquecida da força que habita o corpo da mulher

 

Antes de existir controle, existia reverência

Houve um tempo em que o feminino não era silenciado — era sagrado.

Antes das estruturas que conhecemos hoje, antes das regras, dos papéis rígidos e das expectativas que moldaram o lugar da mulher na sociedade, existia algo mais profundo: a reverência à vida que nasce, nutre e transforma.

O primeiro elemento cultuado pela humanidade não foi o céu, nem o poder, nem a guerra.

Foi a Terra.

E a Terra era mulher.

Nos mitos mais antigos, ela não precisava de nada além de si mesma. Era uma deusa que se gerava, que se recriava, que fazia brotar da própria carne tudo aquilo que sustenta a vida.

Não havia separação entre corpo, natureza e divino. Havia unidade.

O feminino como origem: entre deusas, mitos e memória ancestral

Ao longo da história, diferentes culturas reconheceram essa força.

Na Grécia antiga, Gaia representava a própria Terra viva. Na tradição hindu, Kali expressava o poder criador e destruidor da existência. Entre os povos celtas, Danu era a grande mãe de todos os deuses.

Essas figuras não eram frágeis, nem submissas. Eram inteiras.

O feminino, nesse contexto, não era apenas biológico — era simbólico, espiritual, cósmico.

E talvez seja por isso que, ainda hoje, tantas mulheres sentem um chamado difícil de explicar: um desejo de retorno a algo que parece ter sido esquecido. 

A descida de Inanna: o mito que revela a travessia da mulher

Entre todas as deusas, uma das mais simbólicas é Inanna.

Conhecida como “A Dama dos Céus”, ela carrega em si a complexidade do feminino: amor e guerra, criação e destruição, desejo e sabedoria.

Mas é em um de seus mitos que encontramos uma das metáforas mais profundas sobre o feminino: Inanna decide descer ao submundo.

Para atravessar esse caminho, ela precisa passar por sete portões. Em cada um deles, deixa algo para trás: suas vestes, seus adornos, seus símbolos de poder.

Até chegar completamente nua. Sem títulos. Sem máscaras. Sem proteção.

Esse mito não fala apenas de morte ou renascimento. Ele fala de um processo que muitas mulheres vivem, ainda hoje: o de se despir das expectativas impostas para encontrar quem realmente são.

Matriarcado: entre teoria, mito e apagamento histórico

A ideia de que sociedades antigas poderiam ter sido organizadas a partir do feminino sempre despertou fascínio — e também controvérsia.

Teóricos como Johann Bachofen sugeriram que houve períodos em que as mulheres ocupavam posições centrais, especialmente por sua capacidade de gerar vida.

Mas essa teoria nunca foi consenso. E talvez a pergunta mais importante não seja se existiu ou não um matriarcado, mas o que foi perdido quando o feminino deixou de ser central.

Porque, mesmo sem provas definitivas, há evidências de que mulheres já ocuparam espaços de poder, especialmente na religião, na cultura e na organização social.

Na Mesopotâmia e no Egito, por exemplo, mulheres podiam ser sacerdotisas, governantes e figuras públicas influentes. Esse cenário muda drasticamente em sociedades como a Grécia e Roma, onde o feminino passa a ser restringido ao espaço doméstico.

O que antes era potência, torna-se contenção.

Do sagrado ao silenciamento: o que aconteceu com o feminino

Com o avanço de estruturas patriarcais, o feminino deixou de ser símbolo de poder para se tornar algo a ser controlado.

O corpo da mulher, antes sagrado, passa a ser regulado. Sua voz, antes ritual, passa a ser reduzida. Sua presença, antes central, passa a ser secundária.

E esse movimento não ficou no passado. Ele reverbera até hoje.

Nas exigências, nos padrões, na forma como muitas mulheres ainda se percebem — sempre em função do outro.

Esse processo se conecta com reflexões mais profundas sobre a estrutura social e o lugar da mulher, como você pode ler neste artigo aqui: violência contra a mulher

O retorno: por que o sagrado feminino volta a emergir

Apesar de tudo, algo permanece. O sagrado feminino não desapareceu. Ele foi silenciado.

E agora, pouco a pouco, começa a retornar. Esse retorno não está necessariamente em rituais ou crenças, mas em movimentos internos.

Na mulher que questiona.
Na mulher que se escuta.
Na mulher que decide não se reduzir mais.

Feminismo e resgate: não é sobre passado, é sobre consciência

O feminismo, em uma de suas vertentes, busca exatamente isso: resgatar narrativas apagadas. Não para romantizar o passado, mas para compreender o presente.

Entender que o lugar da mulher não é natural — é construído. E, se foi construído, pode ser transformado.

O sagrado feminino não é externo — é interno

Talvez o maior equívoco seja pensar o sagrado feminino como algo distante, mítico ou inacessível.

Ele não está apenas nas deusas. Está na experiência. Na intuição. Na sensibilidade.

Na capacidade de criar, sentir, transformar e renascer.

O sagrado feminino não é algo que você precisa encontrar. É algo que você precisa lembrar.

Leitura que aprofunda essa reflexão

Uma obra essencial para compreender essa jornada simbólica e emocional é Mulheres que Correm com os Lobos, que explora os arquétipos femininos e o resgate da essência instintiva da mulher, assim como o livro, Quando Deus era mulher , que afirma que, apesar de a cultura matriarcal e matrilinear ter ruído, ela não só perdura como se impõe ao patriarcado e resiste a ele, mostrando-se mais atual do que nunca.

Continue essa reflexão no blog

https://prismagalhaes.blogspot.com/2026/04/violencia-contra-mulher-raizes.html

https://prismagalhaes.blogspot.com/2026/04/como-as-redes-sociais-moldam-saude-mental-ansiedade.html

Um convite final

E se, em vez de buscar fora, você começasse a se perguntar: o que em mim já sabe — mas foi silenciado?

Se esse texto tocou algo em você, continue por aqui.
Esse não é apenas um blog.

É um espaço de reencontro.

Pris Magalhães

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