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Mostrando postagens de abril, 2026

Feminismo e Psicanálise: Pressão Social, Modismo ou Causa Justa?

  Quando estar forte o tempo todo deixa de ser força e vira exaustão Você já sentiu como se estivesse carregando o mundo nas costas, sem direito a pausa? Como se precisasse estar bem o tempo todo — para os filhos, para o trabalho, para a família, para o mundo — mesmo quando tudo dentro de você está desabando? Se a resposta for sim, talvez seja hora de nomear isso com mais honestidade: não é força. É sobrecarga. Vivemos em uma cultura que incentiva as mulheres a conquistarem tudo — carreira, maternidade, equilíbrio emocional, corpo ideal — mas continua delegando a elas o cuidado invisível da vida cotidiana. E esse acúmulo, silencioso e constante, cobra um preço alto. A saúde mental feminina em um estado de alerta constante Não se trata apenas de cansaço. Trata-se de um esgotamento que atravessa o corpo, a mente e a identidade. Ansiedade, irritação, sensação de insuficiência, dificuldade de concentração e um vazio difícil de explicar têm se tornado cada vez mais comuns entre mulheres...

Quando o agressor é “galã”: por que mulheres também validam a violência? O caso Bela Campos e Cauã Reymond em análise

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O  incômodo que poucos querem nomear Há um desconforto silencioso que atravessa debates sobre violência contra a mulher: nem sempre a invalidação vem apenas dos homens. Em muitos casos, ela ecoa — e com força — entre mulheres. Situações envolvendo figuras públicas, como Bela Campos e Cauã Reymond , expõem uma contradição difícil de ignorar: por que denúncias feitas por mulheres são relativizadas quando o homem acusado corresponde ao ideal de beleza, status e desejo social? Por que, em determinados contextos, o “não é não” parece perder força — ou sequer ser levado a sério? Este texto não busca julgamento apressado, mas análise. Porque o problema não está apenas nos indivíduos. Está na estrutura — e, sobretudo, na forma como ela é reproduzida. O peso da aparência: quando o privilégio estético interfere na moral Vivemos em uma cultura profundamente atravessada pelo que a psicologia social chama de efeito halo — um viés cognitivo em que características positivas (como beleza) ...

Um livro que deveria ser lido por todo terapeuta

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  O grande mérito da obra de Bessel van der Kolk está em sua ousadia de romper com a visão reducionista que trata o trauma como algo puramente “mental” e isolado. O autor revela que o corpo não é apenas espectador, mas cúmplice e testemunha, carregando cicatrizes invisíveis que se manifestam em doenças, vícios e bloqueios emocionais. Essa abordagem integral — que entrelaça neurociência, psicologia e práticas corporais — é ao mesmo tempo revolucionária e profundamente humana. Não se trata de uma leitura leve. O livro exige do leitor disposição para encarar histórias de dor e reconhecer que o trauma não é exceção, mas parte da experiência coletiva. Ainda assim, há uma esperança latente: Van der Kolk não se limita a diagnosticar, mas aponta caminhos de cura que transcendem a fala, incluindo yoga, teatro, movimento corporal e outras práticas que devolvem ao indivíduo a sensação de pertencimento ao próprio corpo. O corpo guarda marcas” é um livro que incomoda porque desmonta certezas. ...

Como parar de se comparar nas redes sociais: inteligência emocional na prática

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Você abre o celular sem pensar. Em poucos segundos, já está imersa em vidas aparentemente perfeitas: corpos ideais, rotinas produtivas, relacionamentos felizes, conquistas constantes. E então, quase sem perceber, surge um incômodo silencioso — uma sensação de insuficiência difícil de nomear. A comparação nas redes sociais não é um desvio pontual: ela se tornou um modo de funcionamento psíquico contemporâneo. Em um ambiente onde tudo é editado, filtrado e performado, o sujeito passa a medir seu valor a partir de recortes irreais da vida alheia. Mas é possível interromper esse ciclo. Não com negação ou fuga, mas com consciência — e é aqui que entra a inteligência emocional como prática, não como conceito abstrato. A comparação como mecanismo psíquico Comparar-se não é, em si, um problema. Trata-se de um processo humano, ligado à construção da identidade. Desde cedo, nos percebemos a partir do outro. O que muda nas redes sociais é a intensidade e a distorção desse processo. Na perspectiva...

Como as redes sociais moldam nossa saúde mental: entre a conexão e a ansiedade

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Q uando o excesso de conexão começa a desconectar você de si mesmo Nunca estivemos tão conectados. Mensagens instantâneas. Notificações constantes. Vídeos curtos. Informações infinitas. Pessoas disponíveis o tempo inteiro. E, ainda assim, algo silencioso cresce dentro de muita gente: cansaço emocional, ansiedade, dificuldade de concentração e sensação de vazio. A tecnologia deixou de ser apenas ferramenta. Ela se tornou ambiente emocional. Hoje, redes sociais, inteligência artificial e excesso de estímulo digital moldam não apenas nossos hábitos, mas também nossa autoestima, nossa percepção de valor e até a forma como sentimos a própria vida. Talvez o problema não seja apenas o excesso de tela. Talvez seja o excesso de comparação, de aceleração e de ausência de silêncio interno. “A mente cansada nem sempre precisa de mais informação. Às vezes, precisa de pausa.” Neste artigo, você vai entender: como a tecnologia impacta a saúde mental; por que as redes sociais aumentam ansiedade e comp...

Violência contra mulheres no ambiente familiar: raízes do patriarcado, psicologia do abuso e o ciclo invisível da dominação

A violência contra mulheres no contexto familiar raramente começa com um ato extremo. Ela se instala em silêncio, em pequenas erosões do respeito, em dinâmicas afetivas que se disfarçam de cuidado, ciúme ou amor. Por isso, não pode ser compreendida como um evento isolado, mas como um fenômeno estrutural, histórico e simbólico. Este artigo propõe uma leitura ampliada da violência doméstica, articulando psicanálise, sociologia, psicologia e cultura contemporânea. Mais do que um problema individual, trata-se de uma engrenagem social que se atualiza constantemente — inclusive no ambiente digital e nas novas formas de controle emocional. A matriz estrutural: patriarcado e naturalização da violência A violência contra mulheres no ambiente familiar encontra suas raízes no patriarcado, sistema histórico de organização social que define relações assimétricas de poder entre homens e mulheres. Em O Segundo Sexo , Simone de Beauvoir descreve a mulher como o “Outro” — não como sujeito pleno, mas co...

Feminilidade e feminismo não são opostos: desconstruindo a falsa dicotomia e o impacto cultural no inconsciente social

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Durante muito tempo, consolidou-se no imaginário social a ideia de que feminilidade e feminismo ocupam polos opostos: de um lado, a suavidade, a delicadeza e a tradição; de outro, a ruptura, a crítica e a contestação. Essa oposição, no entanto, não nasce da realidade — nasce de uma construção histórica que simplifica, distorce e enfraquece o pensamento crítico. Este artigo propõe uma desconstrução dessa falsa dicotomia, analisando como feminilidade e feminismo não apenas podem coexistir, mas se complementam profundamente na construção da experiência feminina, da autonomia e da liberdade subjetiva. A construção da falsa oposição A ideia de antagonismo entre feminilidade e feminismo não é neutra. Ela foi socialmente produzida e repetida ao longo do tempo até se tornar uma “verdade cultural”. Essa narrativa cumpre uma função clara: dividir para enfraquecer. Ao apresentar o feminismo como negação da feminilidade, cria-se um bloqueio simbólico que impede a compreensão da complexidade do mov...