Quando o agressor é “galã”: por que mulheres também validam a violência?
O incômodo que poucos querem nomear Há um desconforto silencioso que atravessa debates sobre violência contra a mulher: nem sempre a invalidação vem apenas dos homens. Em muitos casos, ela ecoa — e com força — entre mulheres. Situações envolvendo figuras públicas, como Bela Campos e Cauã Reymond , expõem uma contradição difícil de ignorar: por que denúncias feitas por mulheres são relativizadas quando o homem acusado corresponde ao ideal de beleza, status e desejo social? Por que, em determinados contextos, o “não é não” parece perder força — ou sequer ser levado a sério? Este texto não busca julgamento apressado, mas análise. Porque o problema não está apenas nos indivíduos. Está na estrutura — e, sobretudo, na forma como ela é reproduzida. O peso da aparência: quando o privilégio estético interfere na moral Vivemos em uma cultura profundamente atravessada pelo que a psicologia social chama de efeito halo — um viés cognitivo em que características positivas (como beleza) ...